Relato: Campus Party São Paulo 11 - uma experiência necessária

O bombardeio de informações é intenso. Foram praticamente 6 dias completos de trocas e percepções num dos eventos mais interessantes de tecnologia no país: a Campus Party. Essa em São Paulo, ocorrida entre os dias 30 janeiro e 04 de fevereiro de 2018.

Se não bastasse a magnitude da construção do lado de fora, particularmente impressionante no momento da chegada, do lado de dentro do Pavilhão do Anhembi (SP) a variedade de expositores impressionava. O leque de cores, as múltiplas ondas sonoras e a quantidade de pessoas circulando eram animadores. Via-se de tudo um pouco: drones voando em um circuito de obstáculos, estandes de apresentação de produtos que iam desde fintechs até os múltiplos palcos que apresentavam conteúdo.

Claramente, essa primeira grande parte que dividia o imenso pavilhão tinha um pegada de negócios. Eram múltiplas empresas, grandes e pequenas, startups conhecidas e conglomerados consolidados, que apresentavam algo, que demandavam algo ou que simplesmente estavam ali para estabelecer um ponto de contato, de comunicação com o público.

A parte destinada aos campuseiros entregava outra proposta. Era o espaço onde o centro, literal e figurado, era a comunidade. Lá, era possível se acomodar junto de sua tribo e montar seus computadores, notebooks, monitores, roteadores, mineradores de bitcoins, torres de cpu únicas em estilo e desempenho. E foi o espaço onde escolhemos ficar para trocar ideias e apresentar nosso projeto.

Estávamos animados! Era com muito sorriso no rosto que apresentávamos o ContAí. Nosso banner na quina da longa mesa ajudava a dar o tom da conversa. Confesso que a maquina de churros e os pães de queijo assados durante o dia ajudaram na captação da atenção dos passantes. E bastava dedicar um olhar de ao menos 1 segundo que levantávamos para dizer: "Olá, como vai ? Posso te apresentar nosso aplicativo rapidinho?"

O feedback foi animal! Tanto dos usuários em potencial, quanto das pessoas que não enxergavam valor no primeiro momento mas que, quando lembrava da família, dizia: "Nossa, minha mãe vai adorar". Tanto dos desenvolvedores (aos quais era um prazer explicar nossa arquitetura de sistema), quanto dos investidores procurando oxigenar a mente.

Porém, com tanta pompa de liberdade, ainda ficaram dois grandes incômodos sentimentos: (i) a baixa presença de mulheres, tanto campuseiras, palestrantes e investidores, quanto as que passavam por passear, e (ii) a falta de protagonismo da comunidade.

A realidade da baixa presença de Mulheres no campo de tecnologia não é algo novo. Justamente por este fato conhecido e antigo, esperávamos uma atitude mais forte e incisiva por parte da organização e da própria comunidade. O olhar e a ação da Mulher, na tecnologia e na batalha do dia-a-dia, não é só um movimento político necessário mas uma atitude de humanização da vida.

Quanto à falta de protagonismo da comunidade, ficou o sentimento de que podíamos mais: mais cursos distribuídos por campuseiras e campuseiros, mais trocas, um pouco mais de sensibilidade ao lidar com o outro da mesa ao lado (principalmente quando os poucos núcleos estavam trocando conhecimento).

Por fim, o balanço é positivo. Reunir os diversos públicos num mesmo lugar para falar de tecnologia é uma experiência reveladora. Revela onde estamos e onde podemos estar.


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